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BRUNO GAGLIASSO

Os olhos da cor do mar e o sorriso hipnótico são o acabamento perfeito da imagem de um sedutor. Mas para Bruno Gagliasso isso não é suficiente. "Não acredito que alguém esteja 100% satisfeito com o que vê no espelho. Se pudesse, seria mais alto", conta. "Tenho 1,70 m, mas quando perguntam minha altura sempre aumento um pouco", diz o ator, aos risos. Seguro de si, Bruno está feliz por interpretar o que chama de seu primeiro mocinho na TV, o Eduardo de Ciranda de Pedra: "Meu personagem não é aquele que sofre a ação. Ele faz acontecer, vai atrás do que quer. Exatamente como eu."

Por Beatriz Amorim | Fotos Guto Costa

De uns tempos para cá você tem exibido um visual mais sarado. O que motivou essa mudança?

Foi o meu personagem na novela Paraíso Tropical, o Ivan. Mas não suporto malhar. Estou há seis meses longe da academia. O problema é que me entrego à comida sem pensar no amanhã. Isso está me deixando cheinho. Fico pensando que, se quisesse, poderia ter o corpo do Gael García Bernal ou do Brad Pitt, mas acabo comendo muita besteira. Um dos meus pratos favoritos é caranguejada acompanhada de arroz, batata frita e refrigerante.

Mas você não é vaidoso?

Não me preocupava muito com o assunto. Agora comecei a aplicar protetor solar e, como tenho que me maquiar para interpretar o Eduardo em Ciranda de Pedra, coisa que nunca foi preciso para compor outros personagens, passo demaquilante. Sou do tipo que usa qualquer xampu e, quando não vê nenhum no boxe, apela para o sabonete. O único produto realmente indispensável é uma cera modeladora para o cabelo.

O que o Eduardo tem de diferente dos personagens que já fez?

Essa é a primeira vez que interpreto o mocinho da trama. O personagem é estimulante: não é aquele que sofre a ação. Ele faz acontecer, vai atrás do que quer. Exatamente como eu. Outro fator que me estimula é estar no teatro com um tipo completamente diferente, um louco como o pintor Van Gogh [a peça Um Certo Van Gogh está em turnê e chega a São Paulo em julho]. O ator é feito desse tipo de desafio.

Foi difícil se preparar para esse personagem de época?

Foi uma delícia! A novela se passa em 1958, quando o país vivia os anos dourados do governo JK, a seleção brasileira vencia sua primeira Copa do Mundo e João Gilberto começava a bossa nova, que adoro. Gosto dessa época. Tenho 26 anos, mas minha alma é um pouco antiga. Não me considero ultra-romântico, mas aprecio as músicas e os filmes dessa fase. É como se tivesse saudade de um tempo que não vivi.

Esse saudosismo se reflete no modo como se veste?

Não ligava muito para o que vestia até ficar amigo de um produtor que me entende e me ajuda como ninguém. Não sei se a minha moda é o que está na moda. Gosto de chapéu e uso independentemente do que digam. Também curto xadrez, jeans Diesel, marcas como Auslander, British Colony, Alexandre Herchcovitch e não saio de casa sem o meu cordão com pingente de caveira, que comprei na Natan. Um segredo meu é que odeio sapato. Odeio. Calço Dior ou All Star, tanto faz, contanto que seja tênis.

Você tem alguma outra mania?

Coleciono bonecos de cinema desde criança. Tenho vários, como Capitão América, Charles Chaplin, O Gordo e o Magro, Nacional Kid, Willy Wonka. Estou fazendo uma reforma no meu apartamento e, na sala de cinema, vou colocá-los em uma estante feita sob medida, abaixo do telão.

Essa reforma é uma necessidade ou um capricho?

Faço dois tipos de investimento com o meu dinheiro. Compro ações na Bolsa de Valores e invisto no meu apartamento. Eu me interesso muito por design de interiores e gosto de comprar móveis de qualidade. Quero ter a casa bacana, bonita, do meu jeito.

Você se casou supercedo para os padrões atuais. Sempre foi um desejo? Se arrependeu?

Casei-me no momento que achei certo [há dois anos com a atriz Camila Rodrigues. Os dois anunciaram a separação em maio]. Casamento é difícil. Está mais para uma experiência de crescimento do que para um conto de fadas. Tem brigas, crises e o desafio de superá-las e aprender com elas. Separar é um gesto de maturidade quando a convivência não é mais possível. Não existe fórmula quando o importante é ser feliz. Sou totalmente a favor do amor não obrigatório. Amor é liberdade.

Você já fez análise?

Nunca fiz, mas tenho muita curiosidade a respeito. Faço estudos sobre psicanálise desde a época em que me preparava para interpretar o homossexual Júnior, de América. Queria fazer um personagem sem afetação. Sempre leio a respeito ou vejo filmes, como Freud, Além da Alma, de John Huston, que recomendo. Foi assim que comecei um livro sobre o amor. Como não consigo mais dedicar quatro horas à escrita, resolvi topar o desafio de ter um blog e reescrever os textos nesse novo formato.

Qual a maior lição que já aprendeu?

Que eu prefiro ser uma metamorfose ambulante, como já disse Raul Seixas. Aprendemos e renovamos o nosso ponto de vista com novas opiniões a cada dia. O que era certo ontem hoje pode não ser mais. Meu pai, por exemplo, foi chamado de gay porque usava blusa rosa e rabo-de-cavalo. O mundo é grande e as possibilidades são inúmeras. De certa forma a sociedade lhe ensina preconceitos e pudores. Só você pode se libertar.













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